VIVA SANTO ANTÔNIO!

 

 

PARA ALGUNS, O CASAMENTEIRO, PARA OUTROS, O SANTO DOS
POBRES E PARA VÁRIOS, O SANTO QUE AJUDA ENCONTRAR ALGO.

 

 

 

 

SANTO ANTÔNIO

 

Santo Antônio nasceu em Lisboa (Portugal) em 1195. Seu nome de batismo era Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo. Acredita-se que fosse descendente de família nobre, oriunda da França, que no tempo das Cruzadas teria prestado grandes serviços a Afonso VI de Castilha contra os mouros ou tomado parte ativa na reconquista de Lisboa, em poder dos maometanos. Após breve período como religioso da Ordem dos Cônegos de Santo Agostinho, ingressou, em Coimbra, para a Ordem Franciscana, que o conquistou pelo seu ideal missionário. Ao mudar de Ordem Religiosa mudou também de nome, passando a se chamar Antônio. Uma vez descoberta sua grande queda pela oratória e sua aptidão para o ensino, São Francisco de Assis, em pessoa, vendo a necessidade de proporcionar aos futuros missionários uma instrução que os colocasse à altura do ministério sagrado, nomeou Antônio para a tarefa. Há que se observar que sua ida para a Itália e sua convivência com São Francisco foram motivadas por causas que seria longo elencar. O importante é que o Fundador dos Franciscanos, São Francisco, viu em Antônio a pessoa idônea e capaz para o papel de Mestre, nomeando-o “Lector” de Teologia.

 

Além de excelente pregador, eloqüente e arrebatador, foi também ótimo professor e mestre de Teologia. O santo tinha sido brindado por Deus com o dom da bilocação. Defendeu, como excelente advogado, seu pai, injustamente condenado à morte, por enforcamento. Em outras ocasiões de sua vida, transportou-se de um lugar para outro, sendo visto contemporaneamente nos dois lugares.

 

Em Portugal, sua terra natal, e em outros países de língua portuguesa, a devoção ao santo atingiu tal intensidade que era invocado mormente em ocasiões de batalhas e guerras. Com isso, mereceu ser promovido a soldado, intervindo em 1595, e a Capitão internido da Fortaleza da Barra (Salvador-Bahia) pelo governador da época D. Rodrigo da Costa, em 16 de julho de 1705. Dom João V, em carta régia de 7 de abril de 1707, confirma a promoção a capitão internido.

 

Mais tarde, o príncipe regente, Dom João, futuro rei Dom João VI, por decreto de 13 de setembro de 1810 e carta patente de 4 de fevereiro de 1811 promove o santo ao posto de Sargento-mór, por atribuir à intercessão do santo a proteção celeste recebida, abençoando seus esforços para “salvar a Monarchia da grande e difícil crise” a que esteve exposta, durante as invasões francesas em Portugal.

 

Finalmente, aos 25 de dezembro de 1814, Dom João, ainda Príncipe Regente, assinou no Palácio da Real Fazenda de Santa Cruz (Rio de Janeiro) um decreto promovendo o Sargento-mór Santo Antônio ao posto de Tenente-Coronel de Infantaria.

 

Em 22 de outubro de 1816 é expedida a carta patente da promoção do Santo a tenente-coronel já assinada pelo Rei Dom João VI. Ei-la: “Dom João por graça de Deos Rei do Reino Unido de Portugal e do Brazil, e Algarves d’aquem e d’alem Mar, em Africa Senhor de Guiné e da Conquista, Navegação, Commercio d’Ethiópia, Arabia, Persia e de Índia etc. “Faço Saber aos que esta Minha Carta Patente virem: Que tendo por Decreto de treze de setembro de mil oitocentos e dez concedido a patente de Sargento Mór ao Glorioso Santo António, que se venera na Cidade da Bahia, e a quem o Povo da mesma Cidade Consagra a mais viva Devoção: Sou ora servido elevá-lo ao Posto de Tenente Coronel de Infantaria, cujo soldo lhe será pago na mesma forma que até aqui o tem sido da anterior.

 

Pelo Que mando ao Conde dos Arcos, Governador e Capitão General da dita Capitania, que assim o tenha entendido, e o soldo se lhe assentará nos Livros a que pertencer para lhe ser pago aos seus tempos devidos. Em firmeza do que lhe mandei passar a presente por mim Assignada e Sellada com o Sello Grande de Minhas Armas. Dada na Cidade do Rio de Janeiro aos vinte e dois dias do mez de Outubro do Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e dezasseis, (a) - El Rey João R.”. Santo Antônio faleceu em Arcella, nos arredores de Pádua - Itália - numa sexta-feira, dia 13 de junho de 1231.

 

Sua festa é celebrada aos 13 de junho, data de sua morte. Sua ligação com o Quadro Complementar de Oficiais evidencia-se por três aspectos de sua vida que são algumas das típicas funções exercidas pelos integrantes do QCO:

 

1 - Mestre: foi exímio orador e pregador da palavra sagrada. Ensinava a doutrina cristã. 2 - Professor: foi “lector”, isto é, professor de Teologia. 3 - Advogado: atuando o dom que Deus lhe deu de se bilocar, defendeu convincentemente o próprio pai, inocente, que já tinha sido condenado à morte por enforcamento. Com justa razão, portanto, é cultuado como Padroeiro do QCO.

 

 

 

 

CINCO MINUTOS DIANTE DE SANTO ANTÔNIO

 

 

Há quanto tempo te esperava, ó alma devota, pois bem conheço as graças de que necessitas e que queres que eu peça ao Senhor. Estou disposto a fazer tudo por ti; mas, filho, dize-me uma a uma todas as tuas necessidades, pois desejo ser o intermediário entre tua alma e Deus com o fim de suavizar teus males. Sinto a aflição de teu coração e quero unir-me às tuas amarguras. Desejas o meu auxílio no teu negócio..., queres a minha proteção para restituir a paz na tua família..., tens desejo de conseguir algum emprego..., queres ajudar alguns pobres..., alguma pessoa necessitada..., desejas que cesse alguma tribulação..., queres a tua saúde ou a de alguém a quem muito estimas? Coragem, que tudo obterás. Agradam-me, também, as almas sinceras que tomam sobre si as dores alheias, como se fossem próprias. Mas, eu bem vejo como desejas aquela graça que há tanto tempo me pedes. Tem fé que não tardará a hora em que hás de obtê-la. Uma coisa, porem, desejo de ti.

 

Quero que sejas mais assíduo ao Santíssimo Sacramento; mais devoto para com a nossa Mãe, Maria Santíssima; quero que propagues a minha devoção e ajudes meus pobres. Oh! Quanto isso me agrada ao coração! Não sei negar nenhuma graça àqueles que socorrem os outros por meu amor, e bem sabes quantos favores são obtidos por esse meio. Quantos, com viva fé, têm recorrido a mim com o pão dos pobres na mão e são atendidos! Invocam-me para ter êxito feliz em um negócio, para achar um objeto perdido, para obter a saúde de uma pessoa enferma, para conseguir a conversão de alguém afastado de Deus, e eu, por amor dos meus pobres cuja miséria está a meu cargo, obtenho de Deus tudo o que pedem e ainda muito mais. Temes que eu não faca outro tanto por ti?

 

Não penses nisso porque prezo muito as prerrogativas concedidas por Deus de ser – o santo dos milagres. Muitos outros, como tu, têm precisado de mim e temem pedir-me, pensando que me importunam. Leio tudo no fundo do coração e a tudo darei remédio; hei de obter as graças; não temas. Agora, volta às tuas ocupações e não te esqueças do que te recomendei; vem sempre procurar-me, porque eu te espero; tuas visitas me hão de ser sempre agradáveis, porque amigo afeiçoado como eu não acharás. Deixo-te no coração sagrado de Jesus e, também, no de Maria e no de São José. Reze em seguida: 1 Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.

 

 

 

 

 

 

FRASES DE SANTO ANTÔNIO

 

 

1- "Deus é Pai de todas as coisas. Suas criaturas são irmãos e irmãs."

 

2- "É viva a Palavra quando são as obras que falam."

 

3- "Quando te sorriem prosperidade mundana e prazeres, não te deixes encantar; não te apegues a eles; brandamente entram em nós, mas quando os temos dentro de nós, nos mordem como serpentes."

 

4- "Uma água turva e agitada não espelha a face de quem sobre ela se debruça. Se queres que a face de Cristo, que te protege, se espelhe em ti, sai do tumulto das coisas exteriores, seja tranqüila a tua alma."

 

5- "A paciência é o baluarte da alma, ela a fortifica e defende de toda perturbação."

 

6- "Ó meu Senhor Jesus, eu estou pronto a seguir-te mesmo no cárcere, mesmo até a morte, a imolar a minha vida por teu amor, porque sacrificaste a tua vida por nós."

 

7- "Como os raios se desprendem das nuvens, assim também dos santos pregadores emanam obras maravilhosas. Disparam os raios, enquanto cintilam os milagres dos pregadores; retornam os raios, quando os pregadores não atribuem a si mesmos as grandes obras que fazem, mas à graça de Deus."

 

8-"Ó Senhor, dá-me viver e morrer no pequeno ninho da pobreza e na fé dos teus Apóstolos e da tua Santa Igreja Católica."

 

9-"Neste lugar tenebroso, os santos brilham como as estrelas do firmamento. E como os calçados nos defendem os pés, assim os exemplos dos santos defendem as nossas almas tornando-nos capazes de esmagar as sugestões do demônio e as seduções do mundo."

 

10- "Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa"

 

 

 

 

 

SANTO ANTÔNIO, DOUTOR DA IGREJA

 

 

A CARTA QUE O PROCLAMA DOUTOR

 

 

O Pio XII Para perpétua memória

 

 

Exulta, ó feliz Lusitânia; regozija-te, ó feliz Pádua, porque a terra e o céu vos deram um homem que, qual astro luminoso, não menos brilhante pela santidade da vida e pela insigne fama dos milagres do que pelo esplendor da doutrina, iluminou e continua a iluminar todo o universo!

 

Antônio nasceu em Lisboa, a primeira cidade de Portugal, de pais cristãos, ilustres por virtude e sangue. Pode deduzir-se de muitos e certos indícios que desde os primeiros albores da vida, foi abundantemente enriquecido pela mão do Onipotente com os tesouros da inocência e da sabedoria.

 

Ainda muito jovem, tendo vestido o hábito monástico entre os Cônegos Regulares de Santo Agostinho, durante onze anos dedicou-se com o maior empenho a enriquecer a sua alma com as virtudes religiosas e o seu espírito com a sã doutrina. Elevado depois à dignidade sacerdotal por graça do céu, enquanto vai aspirando à vida mais perfeita, os cinco Protomártires Franciscanos em missão de Marrocos consagram com seu sangue os princípios da Religião Seráfica.

 

E António, cheio de entusiasmo por triunfo tão glorioso da fé cristã, sentindo-se inflamado de vivíssimo desejo do martírio, (vestido o hábito franciscano), dirigiu-se contente numa nau a Marrocos e chegou felizmente às praias africanas.

 

Vítima, no entanto, pouco depois, de grave enfermidade, viu-se obrigado a retomar a nau para voltar à pátria. Desencadeando-se então formidável tempestade, e sendo levado para uma e outra parte nas asas do vento e das ondas, finalmente, por disposição divina, é arrojado ao mais remoto extremo da costa italiana. Dali, desconhecendo o lugar e as pessoas, pensou em dirigir-se à cidade de Assis, onde então se celebrava o Capítulo Geral da Ordem dos Menores.

 

 

Chegado ali, teve a dita de ver e conhecer o Seráfico Pai São Francisco, cujo dulcíssimo aspecto o encheu de consolação e o incendiou de novo ardor seráfico. Tendo-se divulgado mais tarde a fama da celestial doutrina de Antônio, o mesmo Seráfico Patriarca, ao tomar dela conhecimento, confiou-lhe o ofício de ensinar Teologia aos seus frades, mandano-lhe este suavíssimo diploma: "A Frei António, meu bispo, Frei Francisco deseja saúde. Apraz-me que ensines aos frades a sagrada Teologia, contanto que neste estudo não extingas o espírito da santa oração e devoção, como na Regra se prescreve''.

 

Antônio cumpriu fielmente o ofício do magistério, e deve considerar-se o primeiro professor da Ordem Franciscana. Ensinou primeiro em Bolonha, então primeira sede dos estudos; depois em Tolosa e, finalmente, em Montpellier, onde igualmente floresciam os estudos.

 

Antônio ensinou a seus irmãos, recolhendo frutos abundantíssimos e, como lhe ordenara o Seráfico Patriarca, não deixou esmorecer o espírito da oração, antes o Santo de Pádua procurou instruir os seus discípulos não só com o magistério da palavra, mas ainda muito mais com o exemplo duma vida santíssima, conservando e defendendo especialmente o branco lírio da pureza virginal.

 

E Deus não deixou de lhe manifestar várias vezes quanto foi estimado pelo Cordeiro Jesus Cristo este amor que tinha à pureza. Efetivamente, enquanto Antônio estava rezando solitário na sua cela eremítica, todo absorto com o espírito em Deus e com os olhos voltados para o céu, eis que, de repente, num raio de luz lhe aparece o Divino Menino Jesus, cingindo-se ao colo do jovem franciscano, e com os seus bracinhos cumula de carícias o nosso Santo que, anjo em carne humana, arrebatado em suavíssimo êxtase, vai pascendo entre os lírios' (Cant 2,16) junto com os anjos e com o Cordeiro Divino.

 

Os autores coevos dão testemunho da muita luz que brilhou na doutrina de Antônio, aliada da pregação da palavra divina, e com eles os autores mais recentes que unanimemente celebram com altos louvores a sua sabedoria e exaltam até ao céu a sua robusta eloquência.

 

 

Quem atentamente percorrer os "Sermões" do paduano, descobrirá em Antônio o exegeta peritíssimo na interpretação das Sagradas Escrituras e o teólogo exímio na definição das verdades dogmáticas, bem como o insigne doutor e mestre em tratar as questões de ascética e de mística - tudo o que, como tesouro da arte divina da palavra, pode prestar não pouco auxílio, especialmente aos pregadores do Evangelho, pois constitui rica mina de onde os oradores sacros podem extrair as provas, os argumentos oportunos para defender a verdade, impugnar os erros, combater as heresias e reconduzir ao reto caminho.

 

Ademais, como Antônio costumava confirmar as suas palavras com passos e sentenças do Evangelho, com pleno direito merece o título de "Doutor Evangélico". De fato, de seus escritos, como de fonte perene de água límpida, não poucos Doutores e Teólogos e oradores sacros têm extraído, e podem continuar a extrair, a sã doutrina, precisamente porque vêem em Antônio o mestre e o doutor da Santa Mãe Igreja.

 

Sisto IV, na sua Carta Apostólica Immensa, de 12 de março de 1472, escreve o seguinte: "O bem-aventurado Antônio de Pádua, como astro luminoso que surge do alto, com as excelentes prerrogativas dos seus méritos, com a profunda sabedoria e doutrina das coisas santas e com a sua fervorosíssima pregação, ilustrou, adornou e consolidou a nossa fé ortodoxa e a Igreja católica".

 

Igualmente Sixto V, na sua Bula Apostólica de 14 de janeiro de 1486, deixou escrito: "O bem-aventurado Antônio de Lisboa foi homem de exímia santidade..., e cheio também de sabedoria divina".

 

 

Além disso, o nosso imediato predecessor Pio XI, de feliz memória, na sua Carta Apostólica Antoníana Sollemnia, publicada em l de março de 1931 por ocasião do sétimo centenário da morte do santo e dirigida ao Exmo. Sr. D. Elias da Costa, então bispo de Pádua e agora Cardeal da Santa Igreja Romana e Arcebispo de Florença, celebrou a divina sabedoria com que este apóstolo franciscano se dedicou a restaurar a santidade e a integridade do Evangelho.

 

Apraz-nos também recordar da mencionada carta do nosso predecessor as seguintes palavras: "O taumaturgo de Pádua levou à sociedade do seu proceloso tempo, contaminada por maus costumes, os esplendores da sua sabedoria cristã e o suave perfume das suas virtudes... O vigor do seu apostolado manifestou-se de modo especial na Itália. Foi este o campo das suas extraordinárias fadigas. Com isto, porém, não se quer excluir outras muitas regiões da França, porque Antônio, sem distinção de raças ou de nações, a todos abençoava no âmbito da sua atividade apostólica: portugueses, africanos, italianos e franceses, a todos, enfim, a quem reconhecesse necessitados do ensinamento católico. Combateu depois com tal ardor e com tão feliz êxito contra os hereges, isto é, contra os Albigenses, Cátaros e Patarenos, na época enfurecidos quase por toda a parte a tentarem extinguir no ânimo dos fiéis a luz da verdadeira fé, que foi chamado com razão "martelo dos hereges".

 

Nem se pode calar aqui, pelo peso e importância que representa, o sumo elogio que Gregório IX tributou ao Paduano, depois de ouvir a pregação de Antônio e comprovar o seu admirável viver, chamando-o "Arca do Testamento" e "Arsenal das Sagradas Escrituras".

 

É igualmente mui digno de memória que, a 30 de maio de 1232, onze meses apenas depois da sua morte, o taumaturgo de Pádua seja inscrito no Catálogo dos Santos, e que, terminado o solene rito da canonização, o mesmo Gregório IX, segundo contam, tivesse entoado em voz alta, em honra do novo Santo, a antífona própria dos Doutores da Igreja: Ó grande Doutor, luz da Santa Igreja, Bem-aventurado Antônio, amante da lei divina, rogai por nós ao Filho de Deus!

 

 

Foi este precisamente o motivo por que desde o primeiro momento se começou a tributar na sagrada liturgia a Santo Antônio o culto próprio dos Doutores da Igreja, e no missal, "segundo o costume da Cúria Romana", se pôs em sua honra a missa dos Doutores. Esta missa, mesmo depois da correção do calendário, introduzida pelo Pontífice São Pio V em 1570, nunca deixou de se usar até nossos dias em todas as famílias franciscanas e nos cleros das dioceses de Pádua, de Portugal e do Brasil.

 

Pela mesma razão de tudo quanto até agora temos dito, logo depois da canonização de Antônio, se impôs o costume de apresentar à veneração do povo cristão, na pintura e na escultura, a imagem do grande apóstolo franciscano, levando em uma das mãos ou perto um livro aberto, índice da sua sabedoria e da sua doutrina, e tendo na outra uma chama, símbolo do ardor da sua fé.

 

Por isso, a ninguém deve admirar que não somente toda a Ordem franciscana, em especial por ocasião dos seus Capítulos Gerais, mas também muitos ilustres personagens de todas as classes e condições tenham exprimido muitas vezes o vivo desejo de ver confirmado e estendido a toda a Igreja o culto de Doutor, desde há séculos tributado ao Taumaturgo de Pádua.

 

Estes desejos intensificados principalmente por ocasião do sétimo centenário da morte de Santo Antônio, em vista também das honras extraordinárias a ele tributadas, a Ordem dos Frades Menores, primeiro ao nosso imediato predecessor Pio XI e recentemente também a Nós, apresentou súplicas ardentes para que nos dignássemos contar a Antônio entre os Santos Doutores da Igreja.

 

E como para exprimir o mesmo desejo concorre também o sufrágio tanto de muitos Cardeais da Santa Igreja Romana, de Arcebispos e Bispos, de Prelados, Ordens e Congregações religiosas, como de outras doutíssimas personagens eclesiásticas e seculares e, finalmente, de mestres de Universidades, instituições e associações, julgamos oportuno confiar ao exame da Sagrada Congregação dos Ritos assunto de tanta importância.

 

Esta Sagrada Congregação, mostrando-se, como costuma, disposta a seguir as Nossas ordens, elegeu uma Comissão especial e oficial, para que fizesse exame cuidadoso da proposta. Pedido, pois, e obtido em separado e depois dado à estampa o voto de cada um dos comissionados, não faltava mais que interrogar os membros da Sagrada Congregação sobre se, dadas as três condições que o Nosso predecessor Bento XIV requer no Doutor da Igreja universal, isto é, santidade insigne, eminente doutrina celeste e declaração pontifícia, julgava que se podia declarar Santo Antônio Doutor da Igreja universal.

 

 

Na sessão ordinária celebrada no Vaticano a 12 de junho de 1945, os Eminentíssimos Cardeais encarregados dos assuntos da Sagrada Congregação dos Ritos, depois que o Nosso amado filho Rafael Carlos Rossi, Cardeal-Presbítero, Secretário da Sagrada Congregação Consistorial e relator desta causa, fez sobre ela o devido relatório, e depois de ter ouvido o parecer do Nosso amado filho Salvador Natucci, Promotor Geral da Fé, deram o seu próprio assentimento.

 

Estando assim as coisas, Nós, por Nossa espontânea e boa vontade, secundando o desejo de todos os Franciscanos e de todos os demais citados, pelo teor da presente carta, de ciência certa e com madura deliberação e com a plenitude do poder apostólico, constituímos e declaramos a Santo Antônio de Pádua, Confessor, Doutor da Igreja universal, sem que possam obstar as Constituições e Ordenações Apostólicas e qualquer outra coisa em contrário.

 

E isto o estabelecemos, decretando que a presente carta deva ser e permanecer sempre firme, válida e eficaz, e surta e obtenha o seu pleno e inteiro efeito, que assim, e não de outra maneira se deva julgar e definir; como também, a partir deste momento, declaramos inválido e nulo tudo quanto porventura intente contra as preditas disposições qualquer pessoa ou autoridade por conhecimento ou por ignorância.

 

Dada em Roma, junto de São Pedro, sob o anel do Pescador, no dia 16 de janeiro, festa dos Protomártires Franciscanos, no ano de 1946, sétimo do nosso Pontificado.

 

 

 

 

 

 

A LAVAGEM DO SANTO

 

 

Na festa de São João, em alguns locais se costuma realizar a "lavagem" ou o "batismo" do santo. Este ritual deve ser realizado antes da meia-noite, quando todos os participantes formam uma procissão com andores onde estão dispostas as imagens de alguns santos e se dirigem às margens de um riacho, rio, lagoa ou córrego das proximidades. Entoam pelo caminho diversas cantorias como:

 

"Viva São João Batista!
Vivia Batista João!
Vivia São João Batista,
Que foi batizado
No rio de Jordão."

 

Chegando ao riacho, sempre com cantos e com velas acesas, cada devoto recebe nas mãos uma imagem de um santo e a mergulha brevemente nas águas, ou então apanha um pouco da água e a despeja sobre a imagem. Também neste momento, cada devoto faz o sinal da crua e às vezes com a própria representação do santo. Durante a lavagem é comum cantar:

 

"Lira, oi lira
Corrida do mar
Quem tem seus pagão
Pode vim batizar".

 

A lavagem abençoa a imagem do santo e a água. É costume também, banhar os pés , rosto, mãos, e outras partes do corpo com o intuito e busca de proteção.

 

 

 

 

 

 

BÊNÇÃO DE SANTO ANTÔNIO

 

 

O Senhor Jesus Cristo esteja junto de nós,
para nos defender;
dentro de nós, para nos conservar;
à frente de nós, para nos guiar;
atrás de nós, para nos guardar;
sobre nós, para nos abençoar.
Ele que, com o Pai e o Espírito Santo,
vive e reina pêlos séculos dos séculos. Amém.
A bênção de Deus Todo-Poderoso,
Pai, Filho e Espírito Santo,
desça sobre nós e permaneça para sempre.
Amém.

 

Eis a Cruz do Senhor,
afastem-se para longe de nós
todos os inimigos da salvação.
Venceu o Cristo Jesus,
nosso Senhor e Salvador.
Em nome do Pai, do Filho
e do Espírito Santo, Amém.

 

 

 

 

 

 

LADAINHA DE SANTO ANTÔNIO

 

 

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo,
Deus Espírito Santo,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,
Santo António, rogai por nós.
Íntimo amigo do Menino Deus,
Servo da Mãe Imaculada,
Fidelíssimo filho de São Francisco,
Homem da santa oração,
Amigo da pobreza,
Lírio da castidade,
Modelo da obediência,
Amigo da vida oculta,
Desprezador das glórias humanas,
Rosa da caridade,
Espelho de todas as virtudes, Sacerdote segundo o Coração do Altíssimo,
Imitador dos apóstolos,
Mártir pelo desejo,
Coluna da Igreja,
Amador das almas,
Propugnador da Fé,
Doutor da verdade,
Batalhador contra a falsidade,
Arca do testamento,
Trombeta do Evangelho,
Convertedor de pecadores,
Extirpador de crimes,
Restaurador da paz,
Reformador dos costumes,
Triunfador dos corações,
Auxiliador dos aflitos,
Ressuscitador dos mortos,
Restituidor das coisas perdidas,
Glorioso taumaturgo,
Santo do mundo inteiro,
Glória da Ordem dos Menores,
Alegria da corte celeste,
Nosso amável Padroeiro,
Doutor da Santa Igreja,
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do
mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do
mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do
mundo, tende piedade de nós.

 

 

 

 

 

 

O SÍMBOLO DO PÃO DE SANTO ANTÔNIO

 

 

À luz da Teologia do culto dos santos, podemos perceber que Santo Antônio, por ter sido um "homem enamorado de Cristo e do seu Evangelho", apresenta uma mensagem muito rica. Poderíamos desdobrá-la a partir dos símbolos com os quais ele é representado, como o Livro dos Evangelhos. o Menino Jesus sobre o Livro, a Cruz, o lírio.

 

Aqui gostaríamos de deter-nos no símbolo do pão. O pão constitui um elemento inseparável de toda a devoção a Santo Antônio, independente de sua origem. Ele até se chama "Pão de Santo Antônio".

 

A história do "Pão de Santo Antônio" remonta a um fato curioso que é assim narrado: "Antônio comovia-se tanto com a pobreza que, certa vez, distribuiu aos pobres todo o pão do convento em que vivia. O frade padeiro ficou em apuros, quando, na hora da refeição, percebeu que os frades não tinham o que comer: os pães tinham sido roubados".

 

Atônito, foi contar ao santo o ocorrido. Este mandou que verificasse melhor o lugar em que os tinha deixado. O Irmão padeiro voltou estupefato e alegre: os cestos transbordavam de pão, tanto que foram distribuídos aos frades e aos pobres do convento.

 

Até hoje na devoção popular o "pãozinho de Santo Antônio" é colocado, pelos fiéis nos sacos de farinha, com a fé de que, assim, nunca lhes faltará o de que comer.

 

Mais do que a lenda da origem do "Pão de Santo Antônio", importa perceber toda a riqueza do seu simbolismo. Sem dúvida ele revela toda a riqueza da dimensão apostólica da vida de Santo Antônio.

 

Por curiosidade interessei-me em saber se havia alguma estátua de Santo António com o pão em sua figuração. Assim, certo dia, entrei por acaso na igreja de Santa Luzia no Castelo, no Centro do Rio de Janeiro. Encontrei no fundo da igreja uma Imagem de Santo Antônio, tendo sobre o braço esquerdo o Livro dos Evangelhos, com o Menino Deus sentado sobre o livro, segurando um cesto repleto de pães, enquanto Santo Antônio com a mão direita oferece um pão a alguém. Era o que procurava.

 

Fato é que, através de Santo Antônio, Jesus continua a realizar o grande milagre da multiplicação dos pães. Jesus tem compaixão da multidão faminta e multiplica o pão para saciar-lhe a fome.

 

Mas se olharmos para as narrações da multiplicação dos pães, vemos que Jesus nunca age sozinho. Pede a colaboração dos apóstolos: "Dai-lhes vós mesmos de comer; quantos pães tendes, ide ver". Voltando de sua procura, trouxeram-lhe cinco pães e dois peixes. Deu ordens para que fizessem sentar-se à multidão, em grupos, na relva verde. Jesus dá graças sobre os pães e os peixes e dá aos discípulos para distribuí-los. E no fim foram ainda os apóstolos que recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e restos de peixe (cf. Mc 6,35-44).

 

O grande milagre de Jesus está em multiplicar sua presença e sua ação nos seus discípulos. Através deles é que Jesus quer saciar a fome da multidão faminta, tanto da fome corporal como espiritual. Através dos seus discípulos Jesus deseja ser alimento, deseja ser o pão para a vida do mundo.

 

O pão simboliza tudo. Simboliza a vida. simboliza a fraternidade. Quando se diz que falta o pão, dizemos que falta a comida, falta o alimento, falta o necessário para a vida. Por isso, Jesus ensina a pedir o pão de cada dia, em outras palavras, que Deus nos conceda a vida, para que possamos realizar a sua vontade, para que o seu Reino venha, e, assim, seu nome seja santificado, ele que é nosso Pai.

 

Como diz Santo Irineu: A glória de Deus é a vida do ser humano. Por isso, diz São Tiago em sua carta: "A religião pura e imaculada diante de Deus Pai é visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações e conservar-se sem mancha neste mundo" (1,27).

 

Há duas maneiras de se fazer a memória e assim tomar presente Jesus Cristo hoje na Igreja, nos cristãos, no mundo: A primeira é a memória ritual ou celebrativa, principalmente pelos sacramentos e de modo especial pela Eucaristia. O segundo modo é pela memória testamentária.

 

É viver o testamento de Jesus Cristo transmitido na última Ceia, isto é, viver o sentido do lava-pés: viver o novo mandamento, ser também Corpo dado e Sangue derramado, a exemplo de Jesus Cristo.

 

 

São duas expressões da ação de graças, da Eucaristia, são duas maneiras de se viver a Eucaristia. Uma sem a outra é estéril; uma alimenta a outra. Não há verdadeira Eucaristia celebrada sem que também sejamos pão partilhado para a vida do próximo, a exemplo de Jesus Cristo.

 

Talvez o maior milagre que Santo Antônio continua realizando é justamente que sua mensagem, sua caridade, continuam presentes em tantas obras de caridade, em tantas "Pias Uniões de Santo Antônio", em tantas mulheres e homens também, capazes de dedicarem toda a sua capacidade de amor e de serviço ao próximo necessitado junto a igrejas dedicadas a Santo Antônio através do pão de Santo Antônio.

 

Quantas senhoras que dão seu tempo, sua dedicação para assistirem famílias e pessoas necessitadas! As contribuições em dinheiro oferecidas pelos fiéis para o "Pão de Santo Antônio" ou entregues aos frades "para os seus pobres".

 

Tudo isso poder-se-ia acusar de paternalismo. Não. Nosso Senhor mesmo disse: Pobres sempre tereis entre vós (cf. Jo 12,8). Penso que em relação a eles devemos distinguir dois aspectos: As obras de misericórdia fazem parte da vida evangélica, da vida cristã.

 

Contando a parábola do bom samaritano, Nosso Senhor nos ensina claramente que cada um deve aproximar-se do necessitado, ser próximo daquele que necessita de compaixão. Fazer o que estiver em nossas mãos para auxiliá-lo em sua necessidade.

 

 

Poderão dizer: Devemos promover a pessoa, dar-lhe o anzol para que possa pescar. Contudo se não tiver força nem para segurar o anzol será preciso dar-lhe também e, em primeiro lugar, o peixe. Claro que num segundo momento, ou simultaneamente, vem a promoção, que consistirá em criar todo um conjunto de condições para que a pessoa tenha condições de se autopromover. Através de suas imagens se percebe que Santo Antônio não retém o Menino Deus para si.

 

Apresenta-o, oferece-o a todos. Esta oferta transforma-se concretamente em pão, em alimento, e promoção das pessoas, principalmente das mais necessitadas.

 

Santo Antônio foi, sem dúvida, o grande pregador do Evangelho, o anunciador da verdadeira doutrina sobre Jesus Cristo. Encontrou Jesus Cristo e o seu mistério no estudo e na meditação dos Santos Evangelhos. Mas não o reteve para si.

 

Ele continua revelando esta faceta da vida evangélica e apostólica à Igreja dos nossos dias, convocada para a nova evangelização. Importa, porém, que os pregadores do Evangelho hoje também o vivam, também tenham encontrado nele o Cristo Jesus.

 

Só assim, o testemunho, o anúncio de Jesus Cristo será proclamado com novo ardor, será autêntico, e, por isso, eficaz. Como Antônio, o grande pregador, o missionário incansável, o homem de oração, todos os cristãos que aderem a Cristo, que são batizados e recebem o Espírito Santo como Dom do Pai e do Filho, no Sacramento da Crisma, também são chamados a viver sua vocação profética.

 

Ser profeta significa antes de tudo dar o testemunho do novo mandamento da caridade. Significa imitar Deus que é amor. É viver o amor na comunidade conjugal, na comunidade familiar, na comunidade social. Ser profeta e profetisa é revelar Deus neste mundo através do amor e apontar para Deus, imitando-o no seu amor em todas as circunstâncias da vida, é levar uma vida segundo o Evangelho.

 

Não só os apóstolos, não só os Bispos e os sacerdotes e os religiosos e religiosas devem pregar ou anunciar o Evangelho. Também o fiel leigo participa desta missão da Igreja. Desta forma ele se transforma em pão multiplicado para saciar a multidão faminta.

 

Quais as modalidades de sua pregação? Primeiro, sendo fiel à sua vocação cristã de viver na graça de Deus. Na medida em que ele estiver em comunhão com Deus, já está realizando um apostolado. Mas não basta evangelizar-se.

 

O cristão leigo também é chamado a evangelizar: pelo exemplo de vida cristã, ou pelo testemunho; pela palavra de exortação e de edificação quando se lhe oferecer a ocasião; pela ação, participando das diversas Pastorais da Igreja em suas diversas dimensões: a comunhão e a participação, nos ministérios leigos, nos diversos serviços da Comunidade, na Pastoral vocacional; na colaboração com as missões da Igreja, indo eventualmente para terras de missão; na Catequese; nos diversos serviços na Liturgia; no Ecumenismo; na dimensão sóclo-transformadora, ajudando a construir um mundo mais justo e fraterno.

 

 

Mas é próprio do apostolado ou da evangelização do cristão leigo, a consagração do mundo através de sua ação, nos diversos estados de vida, nos diversos campos de trabalho e nas mais variadas profissões: no mundo do trabalho, do esporte, da arte, das ciências, da política, da justiça, da promoção da Paz, da Justiça, da Ecologia.

 

São fundamentalmente dois os modos de agir do Divino Espírito Santo na vida do cristão. Ele suscita vida, faz surgir a vida. Eis o sopro de Deus na manhã da criação, o sopro de Jesus Cristo, na manhã da ressurreição. Mas, por outro lado. ele faz com que a vida se desenvolva e chegue à perfeição. No Batismo ele nos faz filhos de Deus, nos faz renascer pela água, símbolo de vida. Mas esta vida não pode permanecer como uma semente.

 

Deve germinar, nascer, crescer e produzir frutos, ser fecunda, multiplicar-se. Eis o sentido da Crisma. Para que possa realizar sua vocação e missão batismals, o cristão é ungido pelo Espirito Santo na Crisma.

 

Assim como a Páscoa é a celebração do Batismo, o Pentecostes celebra a Crisma, reavivando na Comunidade Eclesial o Dom do Espirito Santo, para que possa realizar em sua vida a mensagem do Evangelho como discípulo e discípula de Cristo, e contribuir para a construção de um mundo mais justo e mais fraterno. Não está aqui também o "Pão de Santo Antônio" multiplicado nos cristãos, o própio Cristo Jesus como Corpo dado e Sangue derramado para que o mundo tenha vida e a tenha em abundância?

 

Através de Santo Antônio. Nosso Senhor está convidando continuamente os cristãos a pensarem no bem do próximo, a amarem o próximo como a si mesmos e a darem uma atenção especial ao necessitado, ao pobre. Claro que não se trata apenas do pão de Santo Antônio, da esmola oferecida ao frade ou ao Convento, com as palavras: "para os seus pobres".

 

 

 

 

Esta doação tem também o valor de um símbolo, de uma celebração, como a contribuição material colocada na salva na hora da preparação das oferendas. Através da esmola ou da contribuição colocada em comum, o cristão que deseja ser discípulo de Cristo, que deseja viver segundo a mensagem do Evangelho, celebra a generosidade e a dadivosidade do Deus Criador, e a de Jesus Cristo, o Redentor que deu a própria vida para que os seres humanos tenham vida.

 

Através de sua oferta, o cristão celebra a própria vocação de poder imitar a dadivosidade e a generosidade de Deus criador e de Jesus Cristo, pois como diz Jesus: "Recebestes de graça, de graça dai" (Mt 10,8). É uma graça poder dar. poder partilhar.

 

Dar de graça, ser generoso, pensar no bem comum, no bem do próximo, promover a vida do próximo, eis o mistério revelado no símbolo do pão de Santo António. Não se dá apenas uma esmola. Podemos e devemos dar o trabalho, o tempo, a atenção, o perdão, a seriedade e a honestidade em nossa ação profissional que vale muito mais do que o dinheiro.

 

Sim, o milagre do Pão de Santo Antônio continua até hoje em seus devotos. Ele nos ensina e nos ajuda a sermos mais cristãos. Nele manifesta-se a espiritualidade pascal, dos atos de amor, das ações de serviço ao próximo, da promoção do ser humano, para que tenha vida e a tenha em abundância.

 

A devoção a Santo Antônio constitui elemento integrante da tradição religiosa do povo brasileiro. Esteve presente desde o Inicio de sua evangelização e continua vivo em nossos dias. Por isso, na nova evangelização e no aprofundamento da fé cristã do povo brasileiro, a devoção aos santos em geral e, especialmente, a Santo Antônio, terá que ser respeitada e cultivada na Pastoral da Igreja no Brasil.

 

Importa estar atenta ao que o nosso povo tem como seu e valoriza, para, a partir daí, ajudá-lo a encontrar sempre mais intensamente a Cristo e chegar por Cristo ao Pai em comunhão com o Espírito Santo

 

A nova evangelização no Brasil passa pelo culto dos santos, e, de modo especial por Santo Antônio, quando este santo vem apresentado por João Paulo II como um homem "enamorado de Cristo e do seu Evangelho". (Extraído da Revista "Grande Sinal", autoria de Frei Alberto Beckhauser, ofm )

 

 

 

 

 

 

 

OITAVO CENTENÁRIO

 

Mensagem do Papa João Paulo II, durante o VIII centenário do nascimento de Santo Antônio de Pádua

 

 

Ao Revmo. Padre Lanfranco Serrini OFMConv., Presidente em exercício da União dos Ministros Gerais Franciscanos.

 

1. Foi com viva satisfação que fiquei sabendo que as quatro Famílias franciscanas se preparam para celebrar, com oportunas iniciativas, o Oitavo Centenário de nascimento de Santo António, figura carismática universalmente venerada e invocada.

 

Toda a Ordem Franciscana está engajada na preparação do jubileu de seu exemplo e modelo, juntamente com a cidade de Pádua, que acolhe em seu território o centro da devoção a Santo Antônio, e a cidade de Lisboa, onde o santo nasceu.

 

A comemoração do Oitavo Centenário tornar-se-á frutuosa no nível eclesial, se ela suscitar uma invocação unânime a fim de que Santo António, por seu exemplo e sua intercessão, impulsione os cristãos de nosso tempo a esforçarem-se na busca dos fins mais nobres e mais elevados da fé e da santidade.

 

Para que esta esperança comum se realize, é necessário que todos os pastores e os fiéis redescubram, por uma devoção sincera, a pessoa de Santo António, estudem seu itinerário espiritual, saibam descobrir suas virtudes, escutem docilmente a mensagem que brota de sua vida.

 

2. Sua existência terrestre durou apenas 36 anos. Ele passou os primeiros catorze anos na escola episcopal de sua cidade. Aos quinze anos, ele decidiu entrar para os Cônegos Regulares de Santo Agostinho; aos 25 anos, ele foi ordenado sacerdote: dez anos de vida caracterizados por uma busca ardente e rigorosa de Deus, por um estudo intenso da Teologia, por um amadurecimento e progresso interior.

 

Mas Deus continuava a interrogar o espírito do jovem padre Fernando: este era o nome que ele unha recebido na fonte batismal. No Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, ele conheceu um pequeno grupo de Franciscanos da primeira hora, que de Assis iam para Marrocos para lá testemunhar o Evangelho, mesmo que lhes custasse a vida. Nesta circunstância, o jovem Fernando experimentou uma nova aspiração: a de anunciar o Evangelho aos povos pagãos, sem deter-se diante do risco de doar a sua vida.

 

No outono de 1220, ele deixou seu mosteiro e se colocou no seguimento do Pobrezinho de Assis, tomando o nome de Antônio. Ele partiu, então, para Marrocos, mas uma grave doença obrigou-o a renunciar a seu ideal missionário.

 

Então, começou o último período de sua existência, ao longo do qual foi conduzido por Deus por caminhos que ele jamais tinha pensado em percorrer. Após tê-lo arrancado de seu solo natal e afastado de seus projetos de evangelização no além-mar, Deus o conduziu a viver o ideal da forma de vida evangélica em terra italiana.

 

Santo António viveu a experiência franciscana apenas onze anos, mas ele assimilou o ideal a tal ponto que o Cristo e o Evangelho se tornaram para ele uma regra de vida encarnada no quotidiano. Ele disse num sermão: "Por ti nós deixamos tudo e nos fizemos pobres. Mas, porque és rico, nós te seguimos para que nos enriqueças... Nós te seguimos, como a criatura segue o Criador, como os filhos seguem o Pai, como as crianças seguem a mãe, como os famintos o pão, como os doentes o médico, como aqueles que estão fatigados a cama, como os exilados a pátria" (Sermones II, p. 484).

 

 

 

3. Toda a sua pregação foi um anúncio contínuo e incansável do Evangelho "sine glossa". Um anúncio veraz, corajoso, límpido. A pregação era sua maneira de acender a fé nas almas, de purificá-las, de consolá-las, de iluminá-las (ibid. p. 154). Ele construiu sua vida sobre o Cristo. As virtudes evangélicas, especialmente a pobreza em espírito, a mansidão, a humildade, a castidade, a misericórdia, a coragem da paz foram temas constantes de sua pregação.

 

Seu testemunho foi tão luminoso que, em minha peregrinação ao seu santuário em Pádua, no dia 12 de setembro de 1982, eu quis apresentá-lo à Igreja, como já o havia feito o Papa Pio XII, com o apelativo de "homem evangélico". De fato, Santo Antônio ensinou de uma maneira eminente, fazendo do Cristo e do Evangelho uma referência constante da vida quotidiana e das opções morais, particulares e públicas, sugerindo a todos que alimentem nesta fonte a coragem de um anúncio coerente e atraente da mensagem da salvação.

 

4. Precisamente porque estava cheio de amor pelo Cristo e pelo Evangelho, Santo António "ilustrava com espírito de amor a divina sabedoria que ele tinha tirado da leitura assídua das Sagradas Escrituras" (Pio XI, Carta Apost. "Antoniana sollemnia", 1.3.1941).

 

As Sagrada Escritura era para ele a "terra parturiens" que faz nascer a fé, funda a moral e atrai a alma por sua doçura (cf. Sermones, Prólogo, 1,1). Recolhida numa meditação plena de amor pela Sagrada Escritura, a alma se abre - segundo sua expressão - "ad divinitatis arcanum". No curso de seu itinerário para Deus, António nutriu seu espírito neste segredo insondável, encontrando aí sua sabedoria e sua doutrina, sua força apostólica e sua esperança, seu zelo infatigável e sua ardente caridade.

 

É da sede de Deus, do anseio por Cristo que nasce a Teologia; para Santo Antônio, ela era a irradiação de seu amor por Cristo: uma sabedoria de um valor inestimável e uma ciência de conhecimento intuitivo (cognição); um cântico novo "in aure Dei dulce resonans et animam innovans" (cf. Sermones, III, 55, e I, 225).

 

Santo Antônio viveu uma maneira de estudar com uma paixão que o acompanhou ao longo de toda a sua vida franciscana. O próprio São Francisco o havia escolhido para ensinar "a santa Teologia aos irmãos", recomendando-lhe, no entanto, que cuidasse nesta tarefa, de não extinguir seu espírito de oração e de devoção (cf. Fontes Franciscanas, p. 75).

 

Ele empregou todos os meios científicos, que então se conheciam, para aprofundar o conhecimento da verdade evangélica e tornar seu anúncio mais compreensível. O sucesso de sua pregação confirma o fato de que ele soube falar a linguagem de seus ouvintes, conseguindo transmitir de uma maneira eficaz o conteúdo da fé e fazendo com que a cultura popular de seu tempo acolhesse os valores do Evangelho.

 

 

5. Desejo de todo o coração que as celebrações do centenário de Santo Antônio permitam a toda a Igreja conhecer sempre melhor o testemunho, a mensagem, a sabedoria e o ardor missionário de um tão grande discípulo de Cristo e do Pobrezinho de Assis.

 

Sua pregação, seus escritos, e sobretudo a santidade de sua vida ofereçam também aos homens de nosso tempo indicações muito vivas e estimulantes no que diz respeito aos esforços necessários à nova evangelização. Hoje, como naquele tempo, nós temos necessidade de uma catequese renovada, fundada sobre a Palavra de Deus, especialmente sobre os Evangelhos, para levar o mundo cristão a compreender de novo o valor da Revelação e da fé.

 

A comunidade dos fiéis deve tomar consciência sempre nova da eterna atualidade do Evangelho, reconhecendo que, através da pregação, a figura do Verbo encarnado se nos apresenta de novo, como se realizou pela pregação de Santo António, autêntica, atual, próxima de nossa história, rica em graça e capaz de suscitar nos corações uma intensa efusão de caridade sobrenatural.

 

Os escritos de Santo Antônio, tão ricos de doutrina bíblica, mas igualmente tão intensamente portadores de exortações espirituais e morais, são ainda hoje um modelo e guia para a pregação.

 

Entre outras coisas, eles mostram amplamente quanto, dentro da celebração litúrgica, o ensinamento homilético pode levar os fiéis a fazerem a experiência da presença atual do Cristo que ainda anuncia o Evangelho a seu povo a fim de obter sua resposta na oração e no canto (cf. Sacrosanctum Concilium, 33).

 

Convido, pois, todos os membros da grande Família Franciscana a esforçarem-se por difundir um são conhecimento do santo Taumaturgo, tão venerado nas comunidades cristãs do mundo inteiro. Que revivam, entre os irmãos das Ordens franciscanas, sentimentos de autêntico fervor no anúncio da verdadeira fé, bem como um ardente zelo pela pregação, pelo conhecimento e aprofundamento da Palavra de Deus, uma dedicação incessante e ardente pela nova evangelização, já às vésperas do terceiro milênio cristão.

 

Rogando ao Senhor, Mestre e Pastor de todas as almas, que, por intercessão de Santo Antônio, insigne pregador e Patrono dos Pobres, seja dado a todos seguir fiel e generosamente os ensinamentos do Evangelho, concedo-lhe uma especial bênção apostólica, bem como a toda a Família franciscana e a todos aqueles que nutrem devoção por este grande santo. (Vaticano, 12 de junho de 1994, no 16° ano de nosso Pontificado.)

 

 

SANTO ANTÔNIO: COMO SURGIU A DEVOÇÃO DAS TERÇAS-FEIRAS?

 

 

Santo Antônio foi sepultado no dia 17 de junho, terça-feira. Teve então início o costume de lembrá-lo nesse dia. Com o decorrer do tempo o costume passou para o esquecimento.

 

Reapareceu no século XVII, como explicam os Bollandistas num caso de 1616. Um casal de Bolonha não conseguira ter filhos durante vinte e dois anos, por mais que o desejassem. Foi aí que entrou Santo Antônio. Os esposos apelaram para sua intercessão.

 

O santo apareceu à esposa, mandando-a visitar por nove dias sua imagem na igreja de São Francisco na dita cidade. Ela conseguiu engravidar, mas deu à luz uma criança deformada. Cheia de confiança levou o filhinho à igreja e o colocou sobre o altar de Santo António.

 

Tocada apenas a pedra do altar, desapareceu a deformidade. Após isso, espalhou-se a notícia e a devoção das nove terças-feiras, acrescida com o tempo de mais quatro dias, formando o número treze, em lembrança do dia da morte do santo.

 

Há ainda muitas igrejas, nas quais, às terças-feiras, o movimento de fiéis é considerável. Horários especiais de celebrações eucarísticas, muita gente na fila do confessionário e, ao fim da missa, a bênção de Santo António, com aspersão dos fiéis. Algumas também distribuem pãezinhos de Santo Antônio.

 

Um exemplo muçulmano - Conta o Ministro Geral dos Frades Menores Conventuais que, em suas passagens por Istambul, impressionou-o o que ocorre às terças-feiras na igreja conventual de Sent Antun. "Nesse dia, todas as semanas e já desde o começo deste século, a bonita e ampla igreja fica sobretudo à disposição dos turcos, e estes, desde a manhã até à noite, sem pausa nem mesmo na hora do almoço, passam em ordem e com devoção diante do altar do Santo e exprimem, cada um segundo a própria sensibilidade religiosa, os próprios pedidos.

 

Fazem-no sem contar as horas, com profunda compreensão, em silêncio e com respeito, com muita compostura e sinceridade. Depois de percorrerem o templo, pausadamente, e muitos tendo até assistido à missa, celebrada em turco, antes de saírem exprimem, em um livro volumoso, os próprios sentimentos, na multiplicidade das línguas médio-orientais..."


Do livro "Santo Antônio Popular", de Frei Ildefonso Silveira, ofm

 

 

 

 

 

 

ORAÇÕES DE SANTO ANTÔNIO

 

 

INOVAÇÃO

 

 

Lembrai-vos, glorioso Santo António,
amigo do Menino Deus e servo fiel de Maria
Santíssima, que nunca se ouviu dizer que
alguém que a vós tivesse recorrido ou
implorado vossa proteção, ficasse
desatendido.
É isto que me enche de confiança e me
anima a recorrer à vossa proteção. Com
humildade me dirijo a Vós para expor
minhas necessidades. Atendei a minha
oração, vós que tanto podeis junto ao
Coração do Cristo, e obtende-me a graça
que confíadamente vos peço . . . . .

 

 

PARA PEDIR EMPREGO

 

 

Santo António, em vossa vida
procurastes trabalhar sempre pela glória de
Deus e pelo bem dos irmãos e irmãs. Olhai
com bondade para minha necessidade.
Preciso de trabalho, de emprego, para
cumprir o mandamento do Senhor e para o
meu próprio sustento e de meus familiares.
Vós, que tanto servistes ao Senhor,
fazei com que eu encontre um trabalho
digno, remunerado, honrado, para que possa
sentir a alegria de estar servindo a Deus e
estar cumprindo meu compromisso para com
aqueles e aquelas que me foram confiados.
Ajudai-me, pois, neste momento
importante, vós que conhecestes o valor do
trabalho, o sacrifício da fome, a alegria de
um lar de paz. Assim seja.

 

 

PARA QUE NUNCA FALTE PÃO

 

 

Santo António, amigo dos pobres, que
inspirais vossos devotos a vos honrar
oferecendo pão aos necessitados, eu vos
peço a graça de que nunca falte o pão à nossa
mesa, ganho com trabalho digno e justo.
Eu vos prometo, de minha parte, olhar
sempre com carinho pêlos mais
necessitados, oferecendo um pouco do pão
que tenho à minha mesa. Sobretudo,
ajudai-nos a buscar sempre o Pão vivo que
desceu do céu, que é o próprio Jesus Cristo
na Eucaristia, verdadeiro alimento para a
vida eterna. Vós, que tantas vezes o tivestes
em vossas mãos e aos outros o distribuístes
com piedade, fazei que também nós nos
aproximemos com amor deste Pão da vida.
Amém.

 

 

PELA FAMÍLIA

 

 

Santo António, vós que em vida
sempre guardastes e defendestes a família,
ajudando-a a crescer para melhor
cumprimento de sua missão educadora, olhai
pela Família de hoje, exposta a tantos
problemas materiais, morais e espirituais.
Olhai carinhosamente pela minha Família,
para que nos compreendamos bem, nos
amemos com sinceridade, e cultivemos a
presença de Deus e sua lei de amor. Que
nossos filhos possam tornar-se pessoas
dignas e construtoras da sociedade de hoje,
carente de líderes cristãos, que saibam
conduzir a vida temporal à luz dos princípios
evangélicos.
Santo António, uma bênção para todas
as famílias e uma especial para a minha
também. Amém.

 

 

ORAÇÃO DOS NAMORADOS

 

 

 

 

Santo António, que sois invocado
como protetor dos namorados, olhai para nós
nesta fase importante de nossas vidas. Que
este tempo seja bonito, sem fütilidades e
sonhos sem consistência, mas que o
aproveitemos para maior e melhor
conhecimento nosso.
Assim, juntos, preparemos
providencialmente o nosso futuro, onde nos
aguarde uma família que, com a vossa
proteção, queremos cheia de amor, de
felicidade e de bênçãos de Deus.
Santo António, abençoai este nosso
namoro, para que transcorra no amor, no
respeito, na sinceridade, na compreensão
mútua e na aprovação de Deus. Amém.

 

 

 

 

 

 

SANTO ANTÔNIO: DADOS BIOGRÁFICOS

 

 

1195 - Segundo a tradição mais corrente, nasce em Lisboa, filho de Martim Afonso e Maria. De família "nobre e poderosa". Batizado com o nome de Fernando.

 

1202-1209 - Durante aproximadamente sete anos, estuda na escola episcopal anexa à Catedral de Lisboa.

 

1210 (?) - Ingressa no Mosteiro de São Vicente, dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, nos arredores de Lisboa.

 

1212 (?) - Passa para o Mosteiro da Santa Cruz, pertencente também aos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. O mosteiro atendia a uma paróquia na cidade e a outra no meio rural, dirigia dois hospitais, dava hospedagem e tinha outros trabalhos pastorais e assistenciais.

 

1220 - É ordenado sacerdote. Como encarregado da hospedaria, recebe os primeiros franciscanos provenientes de Assis que o impressionaram profundamente. Pouco depois, estes são martirizados em Marrakesh, no Marrocos, e seus restos mortais são sepultados na Igreja dos Cônegos de Santa Cruz. Deixa a Ordem Agostiniana para ingressar na Ordem Franciscana, mudando de nome: chamar-se-á Frei Antônio. Pelo fim do ano, viaja a Marrocos. Apenas chega, adoece gravemente.

 

1221 - Na primavera, embarca de regresso a Portugal para tratar da saúde, mas um furacão arrasta a nave, e Frei Antônio desembarca na Sicília, sendo hospedado pelos franciscanos de Messina. Em maio, viaja para Assis, onde participa do famoso "Capítulo das Esteiras". Encontra São Francisco, que havia renunciado ao governo da Ordem, e ouve suas edmoestações. Ao final do Capítulo, Frei Graciano, "Ministro e Servo" dos irmãos menores da Romanha, leva Frei Antônio consigo e o envia ao Eremitério de Monte Paolo, nos arredores de Forli, para celebrar a missa, fazer a limpeza e participar do ofício coral. Permanece ali uns quinze meses.

 

1223 - Em setembro, por ocasião da ordenação sacra de alguns irmãos, Frei Antônio revela sua doutrina bíblica, seu ardor e sua arte oratória. A partir deste momento, é destinado à pregação itinerante e à formação teológica dos irmãos. Pelo final do ano ou início do ano seguinte, recebe um bilhete de São Francisco, que o autoriza a ensinar a sagrada Teologia em Bolonha.

 

1224 (?) - Encontramos Frei Antônio em Vercelli.

 

1225 (?) - Passa para a França e prega em Montpeilier, Aries, Toulouse, Limoges e Bourges.

 

1226 - É nomeado "Custódio" dos frades menores da região de Limoges, guiando-os na difícil tarefa da evangelização, do trabalho pastoral e do combate à heresia. Dedica-se ainda ao ensino teológico e à redação de subsídios para a pregação. Entrega-se a uma intensa vida contemplativa.

 

1227 - No fim deste ano ou no princípio do ano seguinte, está novamente na Itália, exercendo o cargo de "Ministro Provincial" das regiões setentrionais.

 

1229-1230 - Pregação itinerante de Frei Antônio na Marca de Treviso e em Pádua, onde redige os Sermões dominicais, marianos e festivos.

 

1230 - Participa do Capítulo Geral de Assis, no fim do qual, com outros irmãos, se dirige a Roma para expor ao Papa os problemas da Ordem, que estava em plena crise de identidade, crescimento e adaptação.

 

1231 - Prega a famosa quaresma de 1231, que foi uma refundação cristã de Pádua. Pregação catequética diária e confissões em massa. Esta pregação-catequese foi o início de uma imponente evangelização da cidade e de seus arredores. Sua saúde está irremediavelmente comprometida. Em fins de maio, está em Camposampiero, onde completa alguns manuscritos e se dedica à contemplação. Ao meio-dia de 13 de junho, sofre um colapso. Quer regressar a Pádua, mas durante a viagem teve que se deter em Arcella, onde morre.

 

1232 - O Papa Gregório IX canoniza-o no dia 30 de maio, na catedral de Espoleto. É venerado com o título de Doutor da Igreja até 1568, tradição que é confirmada pelo Papa Pio XII no dia 16 de janeiro de 1946. Seu título litúrgico é Doctor Evangelícus.

 

 

 

 

 

SANTO ANTÔNIO : DIA 13 DE JUNHO, O SEU DIA !

 

 

Santo Antônio, que nasceu em Lisboa (Portugal) aos 15 de agosto de 1195. De todos eles, Santo Antônio, ocupa um lugar especial no altar dos povos do mundo inteiro. Dia 13 de junho de 1231, data da morte deste frade português em Pádua, é um dia santo, principalmente na Itália, Portugal e Brasil. Em oito séculos, sua evangelização continua. Neste espaço de mais de 800 anos, a fama póstuma de Santo Antônio foi adquirindo contornos novos, histórias e escritos sobre o santo atribuídas à sua curta vida terrena, provavelmente em decorrência não da propaganda, mas dos muitos benefícios dele recebidos desde o dia de sua morte. Ele é o Santo, de todos, do mundo inteiro.

 

 

 

 

ALGUMAS SIMPATIAS, SORTES E ADIVINHAS

 

 

O relacionamento entre os devotos e os santos juninos, principalmente Santo Antônio e São João, é quase familiar: cheio de intimidades, chega a ser, por vezes, irreverente, debochado e quase obsceno. Esse caráter fica bastante evidente quando se entra em contato com as simpatias, sortes, adivinhas e acalantos feitos a esses santos:

 

Confessei-me a Santo Antônio,
confessei que estava amando.
Ele deu-me por penitência
que fosse continuando.
Os objetos utilizados nas simpatias e adivinhações devem ser virgens, ou seja, estar sendo usados pela primeira vez, senão… nada de a simpatia funcionar! A seguir, algumas simpatias feitas para Santo Antônio:

 

Moças solteiras, desejosas de se casar, em várias regiões do Brasil, colocam-no de cabeça para baixo atrás da porta ou dentro do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são atendidas, lá fica a imagem de cabeça para baixo. E elas pedem:

 

Para arrumar namorado ou marido, basta amarrar uma fita vermelha e outra branca no braço da imagem de Santo Antônio, fazendo a ele o pedido. Rezar um Pai-Nosso e uma Salve-Rainha. Pendurar a imagem de cabeça para baixo sob a cama. Ela só deve ser desvirada quando a pessoa alcançar o pedido.

 

No dia 13, é comum ir à igreja para receber o "pãozinho de Santo Antônio", que é dado gratuitamente pelos frades. Em troca, os fiéis costumam deixar ofertas. O pão, que é bento, deve ser deixado junto aos demais mantimentos para que estes não faltem jamais.

 

Em Lisboa, é tradicional a cerimônia de casamento múltiplo do dia de Santo António, em que chegam a casar-se 200-300 casais ao mesmo tempo.

 

 

 

 

 

 

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